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A investigação de campo
do caso de Alfena não se resumiu ao ano de
1990. Volvidos cinco anos – 1995 – foram
identificadas mais algumas testemunhas (nove no total),
que não tinham sido contactadas pelos investigadores,
anteriormente. Destas, foram inquiridas sete, das quais
quatro tinham, à data da observação, entre oito e
catorze anos, ou seja, pertenciam ao conjunto das
testemunhas mais jovens. Os seus relatos não diferem, no
essencial, dos proferidos pelas testemunhas inquiridas
em 1990. Vejamos, então, as impressões relatadas por
algumas dessas testemunhas (1). A Sr.ª D.
Maria José, irmã do Sr. José António
(2), cuja observação durou mais de dez minutos,
afirmou que viu “a coisa no ar; era redondo, depois
tinha luzes por baixo”. Por sua vez, o Sr. Joaquim
Martins, de 53 anos, disse: “Eu não sei o que aquilo era
... nem eu nem ninguém! Pareceu-me que tinha umas patas,
ou umas coisas para pousar. Aquilo era como um avião,
destes que andam nas festas ... era mais ou menos
aquilo; mas a forma era tipo redonda e tinha aquelas
patas. Naquele momento, em que aquilo apareceu, não
senti medo. Só queria saber o que aquilo era e o que
andava aqui a fazer”, concluiu. Outra das testemunhas
foi a esposa do Sr. Joaquim, a Sr.ª D. Modesta Coelho,
de 58 anos. Relatou o seguinte: “Aquilo levantava e
baixava ... Depois tinha assim aquelas pernas em baixo,
parecia assim aquelas pernas de elefante. Quando
levantava é que as patas mexiam”. E a D. Modesta
concluiu o seu relato afirmando que sentiu medo, “porque
a gente não sabia o que era aquilo”. O João e o
Armando eram dois garotos à data da observação: o
primeiro tinha 12 anos e o segundo apenas 10. Estavam a
jogar o berlinde junto à entrada do café (3). O
João foi o primeiro a ver o objecto. Depois correram na
direcção dos armazéns, acompanhando a trajectória
daquilo que pensavam ser um balão. Segundo o João, “a
velocidade foi sempre constante e reduzida. A forma era
oval e dava a ideia de ser de ferro, com contornos bem
definidos. O tamanho era o de um bidão do óleo (de 250
litros)”. Quanto ao Armando, afirmou que o objecto
“nunca chegou a parar”. Depois descreve-o como “uma
panela das antigas com pernas”. E prossegue: “Tinha um
aspecto metálico, mas uma parte parecia de vidro, a qual
dava a ideia de reflectir a luz do sol”. Afirmando que o
artefacto “pareceu-lhe sempre ser um balão” a testemunha
concluiu as suas considerações afirmando que o fenómeno
desapareceu “na direcção de S.to Tirso, com uma
velocidade rápida”. Também durante o ano de 1995,
precisamente no dia 16 de Setembro, a CNIFO procedeu a uma
reconstituição da evolução do fenómeno de 10 de Setembro
de 1990. Para isso, foram contactadas algumas das
testemunhas mais significativas, cujos depoimentos foram
gravados em video. Mas o aparecimento de novas
testemunhas não ficaria consignado apenas ao ano de
1995. No início do ano seguinte, foram identificadas
mais duas, das quais só foi possível recolher o
depoimento de uma delas, em 17 de Fevereiro (através de
inquérito e gravação vídeo), curiosamente, as únicas
testemunhas conhecidas posicionadas para fora do raio
onde se encontravam todas as inquiridas
anteriormente. Foi assim que o Sr. Joaquim Abel,
mecânico de profissão, que foi alertado
por um colega para o exterior da oficina onde
trabalhava, no lugar de Cabeda (também na freguesia de
Alfena), nos deu conta da sua observação:
“Aquilo era uma forma
tipo ovo, maior. Era branco e o material não sei, talvez
alumínio, ou coisa assim. Era o género de um avião, mas
não vi asas, nem rodas. A velocidade era assim, a de um
supersónico, um jacto. A velocidade foi sempre a mesma”.
E depois descreveu uma particularidade que para ele foi
notória: “... o estrondo era mais forte do que um avião.
Depois do estrondo, desandou para a esquerda, subiu o
morro, baixou novamente e desapareceu. Eu até estava
convencido que ele ia pousar para ali. Vi para aí uns
três minutos”. Depois da recolha deste depoimento, os
investigadores concluíram que, muito provavelmente, o
momento da observação corresponde a uma fase de evolução
intermédia do objecto aéreo não identificado, sobre
vários pontos da freguesia de Alfena, e não à sua fase
de desaparecimento, pois as fotos tiradas na altura
apontam para o céu, portanto, numa perspectiva
ascensional do objecto, o que não está presente no
depoimento do Sr. Joaquim Abel. Paralelamente a toda
a investigação de campo atrás narrada, foram
estabelecidos outros contactos com investigadores
estrangeiros, no sentido de se recolherem novos
contributos para a tentativa de resolução do
caso. Assim, o Dr. Illobrand Von Ludwig, consultor do
MUFON (4), na Alemanha, enviou informações sobre
dois eventos, cujas características muito se
assemelham ao fenómeno de Alfena. A primeira
reporta-se à observação de um objecto voador invulgar,
feita por duas testemunhas, o Sr. Gert G., reitor de
profissão, e a esposa, a Sr.ª Rita F., na localidade de
Eschweiler, próxima de Munique, no dia 7 de Dezembro de
1989. As testemunhas encontravam-se em casa, sentados
à mesa a tomar o pequeno almoço, entre as 08:00 e as
08:10 h, em frente a uma grande janela. O Sr. Gert
narrou assim a sua experiência: “Olhei, ao pequeno
almoço, como de costume, para os arbustos, pois tínhamos
lá colocado comida para os pássaros. De repente,
apareceu um pequeno “papagaio”. Aquela coisa cónica
(ridícula), voou, numa trajectória em curva, para o meio
do campo. Até parecia uma aranha com pés pendentes (ver
figura anexa) (...). Permaneceram no campo a pairar
sobre nós. Agora estava grande como um elefante (...).
Os contornos eram nítidos”. E o Sr. Gert concluiu
assim o seu depoimento: “Depois subiu na vertical, virou
para um lado e para o outro e partiu com uma velocidade
incrível. Ficou de novo de lado e pequeno. Ficamos três
dias em estado de choque, pois foi algo de
incompreensível, visto por ambos à luz do dia”. O
segundo relato diz respeito a uma informação enviada por
um investigador suíço, Luc Bürgin, sobre um caso
ocorrido em Zurique, cerca de dez meses antes (23 de
Fevereiro de 1989), entre as 18:00 e as 18:30 h, e
observado por quatro testemunhas. A testemunha principal
refere-se ao movimento do objecto observado como sendo
“mais lento do que o de um helicóptero, a cerca de 1000
metros de altura”. Segundo a sua opinião, era “demasiado
rápido para ser um balão de ar quente, sobretudo por,
pelo menos ao nível do solo, não haver vento”. E
prossegue: “A “coisa” sobressaía, vincadamente, como uma
silhueta escura, rodeada pelo cinzento da camada de
nuvens. Formas cilíndricas, aparentemente seis, pendiam
da periferia a distâncias regulares. Não apresentava
deformações visíveis devido à propulsão, mas mostravam
um movimento giratório muito lento de todo o objecto, ao
longo do seu eixo vertical (...)”. “(...) Não posso
definir o que vi, como um papagaio, balão de ar ou sonda
ou um modelo telecomandado. Não foi de certeza
alucinação ou ilusão de óptica”, concluiu esta
testemunha. À volta do fenómeno de Alfena tudo foi
feito, pelos investigadores, no sentido da sua
identificação. Disso é prova o extenso processo que a
CNIFO elaborou e que redundou num dos mais completos até
hoje realizados no nosso país. Contudo, até hoje,
volvidos cerca de onze anos e meio, o mistério permanece
indissolúvel. O “não identificado” subsiste.
Mário
Neves Silva
Notas:
(1)
Investigação desenvolvida pela Comissão Nacional
de Investigação do Fenómeno Ovni - CNIFO (2) Cf.
Anomalia, CNIFO, vol. 1, 1993, p. 175
(3)
Idem, p. 180
(4)
MUTUAL
UNIDENTIFIED FLYING OBJECTS NETWORK – organismo
internacional, com sede nos Estados
Unidos, dedicado à investigação do fenómeno ovni.
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