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O
ENIGMA DOS
DISCOS VOADORES
(publicado em 1951) |
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"...Na
primeira parte deste livro, ocupando-me de “ Os
discos voadores no passado e no presente”, expus
factos de que tive conhecimento, quase sempre
através da Imprensa nacional e
estrangeira. Ao mesmo tempo, exprimi opiniões
próprias e alheias, acerca dos estranhos
fenómenos que, de modo geral, é lícito registar
sob a designação comum de «discos voadores».
Acumulando casos e pareceres, pretendi, pois,
apresentar aos leitores um
documentário-comentário, tão completo quanto
possível em relação aos elementos de que
dispunha, acerca daquilo que me permito capitular
de «a maior interrogação do nosso tempo».
Certo, porque o meu arquivo particular da matéria
estudada não ficou esgotado, poderia ter ampliado
a série e o volume das referências. Entendi,
porém, que bastava publicar o que publico para
que esta modesta obra, sem deixar de ser,
simultaneamente, variado e sucinto,
correspondesse, como corresponde, ao modesto
propósito do autor: informar, elucidar, debater,
em suma, arrancar à fatal efemeridade
jornalística, tanto quanto seja da alçada deste
livro, um enigma que, venha ou não a decifrar-se,
caracteriza uma época da História da Humanidade.
"
"Tendo
apresentado as três hipóteses que se põem na
apreciação do problema e tentado – mas
tentado, apenas... -demonstrar que as duas
hipóteses naturais e normais, a dos fenómenos
meteorológicos e a das armas secretas em
experiência, carecem de suficientes elementos
probatórios para fornecerem a chave do mistério,
resta-me tratar, em especial, da terceira
hipótese, aquela que, por não ser natural nem
normal, isto é,
não respeitar à nossa Natureza nem à
nossa normalidade, qualifiquei de transcendente.
Como os leitores, com certeza, notaram, se
honraram a primeira parte deste trabalho com a sua
atenção, foi por exclusão de partes que
manifestei relativo pendor para a hipótese
transcendente. Relativo, acentuo, e não absoluto,
porque, se qualquer das hipóteses excluídas,
agora, por mim vier – sabe-se lá! - a
fortalecer-se com novos fundamentos de valor
incontestável, não serei eu quem teimará em
defender aquilo que se prove ser absurdo. Por
enquanto, porém, e à face do que sei, embora
pouco, acerca do enigma dos «discos voadores»,
não reluto em preferir a hipótese transcendente
às demais. Não há, nesta preferência, que é,
afinal, a de muita gente – e, até, de gente
mais autorizada do que eu a pronunciar-se acerca
do assunto –, o inconfessável fito de fazer
literatura sensacionalista. Há, sim, a honesta
ambição de contribuir, dalgum modo, para que, na
escuridão, se projecte a claridade.
"
"Admitida
a hipótese transcendente, isto é: a de provirem
os «discos voadores» e engenhos congéneres de
fora do planeta que habitamos, torna-se mister
atentar noutro problema perturbante: o da
pluralidade dos mundos habitados. Se os estranhos
fenómenos tenho por conveniente continuar a dar
esta designação, à falta doutra mais adequada,
ao aparecimento dos «discos voadores» e engenhos
congéneres – têm origem extra-terrestre, é
porque a Terra -o senhor de La Palisse chegaria à
mesma conclusão... - não é o único planeta
habitado. A pluralidade dos mundos habitados - e
não a simples dualidade, note-se bem – tem,
pois, de ser tomada como um axioma, se se
aceitar que doutro planeta, seja ele qual for,
têm saído os misteriosos aparelhos que, desde
1762, a darmos crédito às afirmações de Donald
Keyhoe, ou desde 1947, de acordo com as
observações causadoras do actual movimento de
curiosidade geral, têm penetrado na atmosfera
terrestre. Encarando
como axiomática, para a explicação do caso dos
«discos voadores», a pluralidade dos mundos
habitados, que sido uma das maiores
interrogações de todos os tempos, temos, no
entanto, de reconhecer que, na ciência, na
filosofia e na religião, são mais, talvez, os
argumentos contra do que os argumentos a favor...
"
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OUTROS
MUNDOS
Outras Humanidades
(publicado em 1958) |
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"
Neste
modesto trabalho, com pesar sincero o declaro,
não há o testemunho próprio de factos
concernentes ao seu título. Se nunca vi pelos
meus próprios olhos um disco voador ou engenho
congénere, tão pouco tive a fortuna, até agora,
de me certificar por experiência própria da
existência de seres extraterrestres. 0 que, a tal
respeito, sei provém, apenas, do que li nos
livros e na Imprensa diária e periódica, Cata
ali, cata acolá, reuni, assim, elementos
informativos que me pareceram suficientes para,
com eles, estruturar o trabalho presente..."
"...Mas
como tudo isso é pouco, pouquíssimo,
humildemente, socràticamente, considero dever meu
confessar que só sei que nada sei. No entanto,
dentro da minha imensa e infinita ignorância,
cabem isto e aquilo cujo conhecimento me cumpre
não reservar, egoístamente, para mim. Para que
todos compartilhem desse pouco, pouquíssimo, que
sei, dou a público este modesto trabalho, que
outro escopo não se arroga a não ser este:
chamar ou, antes, tentar chamar a atenção dos
que, porventura, o lerem para um dos mais
transcendentes problemas que a nossa humanidade
jamais se pôs, o de saber se é a única
humanidade a povoar o espaço cósmico ou se
"palavras do Apóstolo: «Na casa de meu Pai
há muitas moradas» (São João, 14:2) valem, na
verdade, como suponho, por uma afirmação
peremptória acerca da pluralidade dos mundos
habitados. Simples e obscuro estudante de assuntos
que, na minha opinião, são de molde a interessar
a toda a gente, não cuido, com este estudo, de
dar lições a quem quer que seja. Longe disso.
Digne-se, pois, o leitor sentar-se comigo à banca
da escola e acompanhar-me, se tal lhe aprouver, na
apreciação do que vou expor. Vamos, pois, ver,
embora de relance, o que se sabe de mais
interessante acerca de outros mundos e outras
humanidades. Quando lhe apetecer sorrir ou, mesmo,
rir, sorria ou, mesmo, ria à-vontade. Nem tudo é
para,ser tomado a sério. Com este estudo, nada se
pretende impor. Pretende-se, apenas, expor - e
estudar..." |
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HUGO
ROCHA
1907 - 1993 |
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Excertos
de algumas apreciações da crítica à edição
Portuguesa de «O Enigma dos «Discos Voadores»
ou a Maior Interrogação do Nosso Tempo»: |
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«Hugo
Rocha, nosso prezado colaborador, escritor
consagrado pela Academia das Ciências, lançou-se a
esta obra mais para responder às inquietações e
interrogações dos homens do seu tempo do que para
colher louvores, de que não precisa para ser quem
na realidade é». «Artista como é, pois sabe
contar e expor como poucos (mesmo que não se trate
de obras de ficção, como no caso presente) o autor
seccionou o seu volume em capítulos que dão um
corpo de exposição e explicação (possíveis) de
tais mistérios».
Guedes de Amorim («O Século
Ilustrado»)
«Hugo
Rocha estudou o problema a fundo, e com a sua prosa
flamejante, intencional, por vezes, interrogativa,
porque assim a obriga a alucinante matéria, dá-nos
diversos aspectos, uns mal conhecidos, outros
constituindo autênticas revelações sobre os
famosos discos, que continuam sulcando a abóbada
celeste».
Artur Portela
«<Diário de Lisboa»)
«Nas
250 páginas do seu estudo, Hugo Rocha faz perpassar
ante os olhos do leitor tudo quanto sobre o assunto
se tem dito e escrito, não apenas nos últimos
anos, mas acerca do mesmo ou análogo fenómeno
observado em 1762, a dar crédito a certas
informações com vises de autenticidade
J. VALÉRIO
(«Novidades)
«Hugo
Rocha, nosso estimado confrade, espírito culto e
dado a investigações e lucubrações de
transcendência, e muito bem documentado a respeito
deste caso, abre a interrogação diante de nós, e
sobre ela discorre com inteireza e clareza
edificantes. Faz o que raros fazem, ao escreverem
livros assim, de informação e divulgação:
leva-nos, de princípio a fim, presos, entretidos,
encantados com as suas considerações e deduções.
Quem sobre «discos voadores» queira ter os devidos
conhecimentos e esclarecimentos leia e compre este
livro de Hugo Rocha, livro cheio de interesse e, por
cima ainda, escrito por quem sabe o que faz e o que
diz».
(«Diário de Notícias»)
«Es
un libro de palpitante actualidad, por cuanto en él
su autor ha recogido Ias informaciones que te ha
sido posiblo encontrar acerca de tos famosos «platillos
volantes». Pero el senor Hugo Rocha no se
limita en su libro a los «platillos volantes»,
sino que, remontándose más arriba, trata acerca de
Ia habitabilidad de otros mundos y los medios para
Ilegar a elos».
«Es libro éste que se lee con creciente interés
por tratarse de materias que Ia insaciable
curiosidad del hombre desea saber; a ello contribuye
Ia amenidad que el autor ha sabido dar».
PADRE
IGNACIO PUIG S.J.
(«Ibérica», de Barcelona)
«A
sua brilhantissima exposição, tão sugestiva, tão
completa, tão clara e tão inteligente sobre o que
se sabe o que se não sabe do fenómeno dos discos
voadores é simplesmente notável».
«Não é difícil prognosticar, para livro tão
interessante no fundo e tão primoroso na forma, um
verdadeiro êxito de livraria. Belo espírito o seu,
curioso de tudo, vibrando de tudo o que a vida lhe
oferece, debrucando-se sobre os problemas novos,
perscrutando os horizontes constantemente renovados
da inquietação humana, na perfeita compreensão de
que «viver» não é apenas (ai de nós ) mergulhar
no próprio drama, mas assistir espectacularmente ao
drama universal».
Júlio
Dantas
«O
autor deste livro, grande jornalista e, grande
romancista, reuniu em volume, que acabámos de ler
com sumo interesse, as qualidades que nas duas
facetas do seu talento concorrem».
«Hugo Rocha diz que este enigma dos discos voadores
será decifrado em nosso tempo e saberemos sem
sombra de dúvida o que pensar, sem erro, deste
singularíssimo fenómeno, que já não pode
considerar-se uma grande e generalizada ilusão de
óptica».
CORREIA
MARQUES («A VOZ»)
«Ao
fim e ao cabo, resumidas as hipóteses que o caso
lhe proporciona, Hugo Rocha deixa, como é lógico,
sem resposta as interrogações, mas não se,
esquece de exprimir o seu pensamento: O enigma dos
«discos voadores», para mim, constitui, na
verdade, a maior interrogação do nosso tempo. Para
quando a resposta a esta: ainda para o nosso tempo?
Entendo que sim. A transcendência do problema
implica uma solução transcendente». «Eis um
livro curioso, palpitante, actual, que nos dá um
romancista que ganhou o Prémio Ricardo Malheiros -
um jornalista que nasceu jornalista».
(«O
Século») |
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